Programa Doutoral em Artes Plásticas

O Programa Doutoral em Artes Plásticas que agora se apresenta tem como princípio fundamental trazer para a prática investigativa das artes um posicionamento contemporâneo que requer, antes de mais, um olhar atento ao contexto em que se desenvolve e em que se quer envolver. Assim, encara o seu propósito como possiblidade de esclarecimento de algumas respostas decisivas para tentar clarificar as premissas que se apresentam como passíveis de fornecer operatividade ao curso. Talvez a questão central — ainda por resolver – mas em ampla discussão um pouco por todo o lado, seja o que fazer relativamente a um pensamento que nos últimos dois séculos foi moldando as regras do saber, segundo uma matriz disciplinar desenvolvida por especialistas e pensadores quase sempre no interior da Universidade. E de tal forma se foi assimilando o discurso que hoje quase nos esquecemos das possibilidades de um saber que se exclua desta forma. Ora o fazer saber da prática artística, se já uma vez reivindicou a sua condição única ao reclamar a possibilidade de cindir o cisma hegeliano do amo e do escravo (a teoria e a prática) numa outra forma de conhecimento em que a teoria é levada e experimentada em termos práticos — a arte tal como a conhecemos começa aí — hoje, no meio do turbilhão de ideias e posições diversas que se formaram, volta a ser necessária uma clarificação da noção, agora por inclusão, quer dizer,  expandindo a sua especificidade de forma de conhecimento para territórios que reconhecem a investigação, também esta, como forma ampla de saber.

Propõe-se, assim, uma tentativa de multi-facetar a actividade artística numa simultaneidade territorial que possa ocupar intrinsecamente a chamada arte contemporânea com a participação activa em exposições e, ao mesmo tempo, a investigação nos moldes mais “académicos”, a que um curso deste nível obriga. Contudo, tentando evitar a cisão e mantendo a tónica na inclusão que apela a uma espécie de diálogo entre os dois territórios sem no entanto haver a necessidade de um vencedor. É, portanto, a partir deste princípio que poderemos introduzir a amplitude das possibilidades investigativas em aberto: para todos aqueles que possuem prática artística mas, também, para quem quer investigar sobre esta, ou seja, duas visões que podem conviver de forma endo e exógena. Mas uma investigação, por mais heterodoxa que se queira apresentar, representa e representa-se por um acto de pesquisa e de busca em direcção a um aprofundamento sempre necessário. Assim, a investigação necessita, obviamente de uma componente teórica que permita a sistematização da prática no envolvimento de questões que dali podem e/ou devem partir mas que, por certo, não se deixarão confinar a esse território de acção para se concentrarem na produção pura de pensamento a partir da experimentação prática que é desenvolvida. A premência do fazer saber, outra vez.

Direção

Fernando José Pereira

Comissão Científica

Bernardo Pinto de Almeida
Fernando José Pereira
Catarina S. Martins

Corpo docente

Bernardo Pinto de Almeida
Catarina S. Martins
Fernando José Pereira
Gabriela Vaz Pinheiro
Helder Gomes
Lúcia Matos
Mário Bismarck
Pedro Tudela
Teresa Almeida

Objetivos e resultados de aprendizagem

 

  • Entender a Arte e as suas práticas como terreno de ação investigativa, assim como investir na individualização do processo de investigação aprofundada ao nível teórico-prático.
  • Aproximar o processo de ensino das condições reais de trabalho para o investigador nas práticas artísticas contemporâneas bem como a sua inserção nos ambientes de produção e receção da arte atual.
  • Desenvolver a sua compreensão crítica e potenciar o espírito crítico como forma de investigação artística e incentivar a necessidade de cruzamentos com saberes de outros campos de intervenção investigativa e científica.

Plano de estudos

 

1.º ano
Seminário – 40 ECTS
Investigação em Arte (questões metodológicas) – 10 ECTS
Pensamento da Arte Atual – 10 ECTS

2.º e 3.º ano
Questões de Investigação I (2.º ano) – 10 ECTS
Questões de Investigação II (3.º ano) – 10 ECTS
Tese (2.º e 3.º ano) – 100 ECTS

Organização do ciclo de estudos

 

  • O CE é constituído por 180 ECTS;
  • O primeiro ano curricular, constituído por 60 ECTS, corresponde  a um curso não conferente de grau, intitulado ‘curso de doutoramento’, que integra as UCs de Seminário; Investigação em Arte (questões metodológicas); Pensamento da Arte Atual
  • O CE é ainda constituído por 20 ECTS correspondentes às unidades curriculares de apoio à Tese, organizadas no 2.º e 3.º anos (Questões da Investigação I;  Questões da Investigação II);
  • e TESE (100 ECTS).

Candidaturas

 

1 julho — 26 agosto 2016

Candidatura Online

 

Documentos a entregar:

  • Certificado de conclusão de curso superior
  • Curriculum vitae
  • Cópia dos documentos de identificação (passaporte/CC/BI)
  • Anteprojeto de investigação a inserir em “Outros documentos que considere pertinentes para aplicação dos critérios de seriação” (obrigatório)

Condicões de acesso

 

Podem candidatar-se a este CE conducente ao grau de doutor:

  • Titulares do grau de mestre ou equivalente legal, em Artes e outras áreas afins;
  • Titulares de um grau académico superior estrangeiro, em Artes e outras áreas afins, conferido na sequência de um 2.º Ciclo de Estudos organizado de acordo com os princípios do Processo de Bolonha ou por um Estado aderente a este Processo;
  • Titulares de um grau de licenciado em Portugal e no estrangeiro, detentores de um currículo escolar ou científico especialmente relevante que seja reconhecido como atestando capacidade para a realização deste ciclo de estudos pelo órgão científico legal e estatutariamente competente da Faculdade de Belas Artes;
  • Detentores de um currículo artístico ou profissional que seja reconhecido como atestando capacidade para realização deste Ciclo de Estudos pelo órgão científico estatutariamente competente da Faculdade de Belas Artes.

Gabinete de pós-graduação 
Telefone:  +351 225 192 412
posgraduacao@fba.up.pt

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